Quarta-feira, Dezembro 12, 2007

flora emocional destruída











reconstrução










atravessei o dia de hoje á procura de oxigénio.

Terça-feira, Dezembro 11, 2007


verdes anos segura me o queixo e seca me as lágrimas. obrigada paredes por me fazeres tão bonita. por me sentir quebrada na tua guitarra. por este momento nocturno em que me acolhes e me tomas tua. deito me no chão deste quarto e tenho te comigo neste momento de solidão. ainda bem que sei chamar-te quando precisas. passeia na nossa Lisboa esta tarde e sentei-me ao sol no Rossio. Andei contigo dentro o dia todo. Estes verdes anos, anos de luz e de crescer, anos de mim que á força de tanto sentir me levam o que tenho dentro e nunca me deixam vazia.

Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

SONATA - HINDEMITH

claro que as coisas nunca são como imaginamos e o melhor é não nos arriscarmos a imaginar. Quer dizer, o poeta quando fala na bênção da imaginação nem se lembra que ás vezes vale mais estar quieta e deixar as coisas brotarem naturalmente do que estarmos para aqui a construir castelos que achamos serem de cimento e betão armado e no fim, vai-se a ver, e afinal era areia molhada da praia levada pelo mar.
Os meus castelos tem vindo a ruir e, sorte minha, ter por trás dos olhos estes sonhos que me são seguros, fieis, esta certeza em ser capaz de me conservar integra, honesta, transparente. Esta certeza das coisas que sinto e ser capaz de as dizer. Ser capaz de as dizer não é fácil. Mais difícil é ser capaz de as tocar. Portanto, na verdade, os meus castelos não ruiram. Sou pequena em quase tudo e não faz mal. É possível que tenha tempo para crescer ainda, é possível que o tempo me faça melhor. quero ser melhor. Quero ser melhor e capaz.
Ensinaram-me a fazer de algumas coisas pequenas pedras de toque e esforço-me por isso. Esforço-me por segurar o Vicente como se ele fosse a minha única pedra de toque. Esforço-me por me lembrar do que me ensinaram, do que aprendi com as minhas mão, com o meu corpo. Faço um esforço grande grande por ser fiel a tudo o me parece ter valor. Esforço-me por ser justa ao amor que trago dentro e não o renego, não o condeno, não o mato, não o culpo, não o julgo. O amor em si mesmo é sempre transparente. É para isso que tenho vindo a construir-me e é assim que quero ser.

pego no Vicente e faço me á estrada como se fosse a única estrada possível. pego no Vicente e faço de conta que tudo tem que ser uma festa. mesmo quando triste tudo me acrescenta.

Quarta-feira, Novembro 28, 2007

Encontros E Despedidas (Maria Rita)

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partirSão só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida

Sábado, Novembro 17, 2007


PARA TI



Dos gardenias para tí,

con ellas quiero decir,

te quiero, te adoro, mi vida,

ponle toda tu atención,

porque son tu corazón y el mío.



Dos gardenias para tí,

que tendrán todo el calor de un beso,

de esos besos que te dí,

yque jamás encontrarásen el calor de otro querer.



A tu lado vivirán,

y te hablarán como cuando estás conmigo,

y hasta creerás que te dirán te quiero.

Pero si un atardecer,

las gardenias de mi amor se mueren,

es porque han adivinado,

que tu amor se ha terminado,

porque existe otro querer.



Dos gardenias para tí,

que tendrán todo el calor de un beso,

de esos besos que te dí,

y que jamás encontrarásen el calor de otro querer.


Sexta-feira, Novembro 09, 2007


O Meu Amor Existe
Jorge Palma
O meu amor tem lábios de silêncio
E mão de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina
O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito
O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Separou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura
O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe
DE VOLTA Á MINHA GRUTA



Domingo, Novembro 04, 2007





Ne Me Quitte Pas
by Jacques Brel

album: Master Series (1992), Ballades & Mots D'amour (1999)


Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit deja
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur
Ne me quitte pas



Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'apres ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas



Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te racont'rai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas



On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas



Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
À te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas



LISBOA DOS MEUS OLHOS PELOS OLHOS DO OUTRO


Sábado, Novembro 03, 2007

Começo ás 17h e deixo me só a ouvir, vou soprando e deixo que o som se espalhe, se transporte a si mesmo. o dia escurece a partir das 18h agora e as luzes todas de Lisboa começam a acender-se. gosto de Lisboa, gosto tanto de a ver acordar lenta e serena, cheia de brilhos espalhados. gosto deste castelo deitado, indolente, seguro lá no alto. não, não gosto mais deste sitio mas não é neste sitio, nesta sala, neste prédio, nesta escola que me encontro. toco a mesma escala várias vezes, de diferentes maneiras, mas não aqui, não para esta cortiça e esta madeira, toco para ti mouraria, para ti. este som é teu. o melhor que tenho.

Quinta-feira, Novembro 01, 2007


Quarta-feira, Outubro 31, 2007

já não tinha esta sensação há algum tempo. suponho que seja simples quanto isto: desejo ser especial, ter um talento, ser um talento. tão fútil quanto isto. internamente estes dias não tem sido simpáticos. há escondida a necessidade da solidão tantas vezes incomoda. tão simples quanto isto: um talento, fosse para o que fosse.
suponho que possa não parecer simples, mas é.
precisava de ter outros ouvidos e outros dedos. outra cabeça, outro corpo. seja como for, ser outra, uma que sirva. seja como for, não tem sido bom embora não seja terrível. não é terrível porque tenho muita sorte. não sei aproveitar a sorte.
capacidade de trabalho. se a tivesse mesmo usava-a para conseguir não trabalhar. trabalhava para deixar de trabalhar.
suponho que seja tão simples quanto isto: sinto me triste e são questões que se misturam, já não sei onde se separam. é um estado. é uma tristeza seca. não me apetece falar nem tão pouco concentrar me em ouvir, só quando são vozes que me aquecem, só assim.
sinto o cheiro das memórias colada no fundo da garganta e queria cantar. saber cantar, ser capaz. fosse do que fosse. queria esquecer-me. apagar, começar de novo. ser pequenina outra vez. antes de tudo. antes de mais. queria encher de agua todos os copos da minha casa só para ouvir o correr do liquido da torneira para o copo, do copo para a minha boca e corpo e sentir na pele o frio. olhar todos os vidros molhados.queria parar naquele sitio.
ando com a máquina fotográfica de um lado e Dostoiévski do outro. os cadernos de um subterrâneo voltam a assaltar-me as mãos e relei-os com olhos mais crescidos, já com calos na consciência e no coração. já não me magoa tanto. pergunto me várias vezes o que aconteceria se o húmus entrasse de novo nos meus olhos dentro. suponho que seria uma desilusão, assim, deixemo-lo continuar a ser medo e dor que sempre é melhor.
procuro retratos de pessoas na rua e retratos das ruas onde as pessoas pisam desejos por existir. não procuro nada. não procuro ninguém. acordo com a sensação de precisar de levar o meu mundo todo comigo. todas as coisas que gostava de fazer e ser perto de mim, não vá ser necessário subir as mangas da camisola e por as mãos no trabalho.
paro e sento- me e espero um pouco frente á Brasileira. está um saxofonista a tocar do# em ritmos alternados. a nota é sempre a mesma. cheira a castanhas e está tanta gente a caminho do metro que me sinto pequenina pequenina no meio da multidão. abraço as pernas com os braços e colo o ouvido ao joelho. o saxofone nas costas pesa me o corpo para trás mas contrario. ele tem razão -a nossa profissão é existir e despertar- seja de que forma for.
Dostoiévski revela-me coisas que me esqueci de compreender num passado perto. hoje estou mais desperta. apanhei me se puderem!

Terça-feira, Outubro 30, 2007

AU MARCHÉ DES ILLUSIONS

Segunda-feira, Outubro 29, 2007

vou a palmilhar Lisboa e cada vez mais ela me parece minha. cada vez mais me encontro e reencontro nos passeios e nas pessoas e nas varandas. caminho lenta e tranquila. caminho apenas. esforço-me por não pensar numa quantidade de coisas que me assaltam. talvez nem sejam assim tantas. se calhar apenas uma. se calhar.
paro perto do outono espalhado no rossio e não resisto á descoberta: há quanto tempo não me tenho? sinto falta de mim. sinto falta dos meus livros. sinto falta da poesia. sinto falta da minha casa, do meu quarto. sinto falta das minhas coisas, das minhas pessoas. sinto-me falta e em falta. quero-me onde me preciso. Tenho vontade de estar em Lisboa, de subir o castelo e ficar lá até as estrelas surgirem. vontade de me fechar no quarto, ler os livros até os olhos me doerem. tenho vontade de estar só. de silencio. de parar o tempo agora, sem ir a lado nenhum, sem que ninguém me chegue, me toque, me ocupe.
tenho vontade das tertúlias e dos cafés, do cheiro a laranja na roupa. tenho vontade de pegar em mim e partir. assim, como quem não tem nada a deixar para trás. vontade de mim.
De partir ou nunca mais sair de Lisboa.

Domingo, Outubro 28, 2007



há um homem perto de mim que se levanta para cantar uma canção, fado de rua que aquece os copos vazios. deixo os meus olhos muito abertos caírem sobre ele e enquanto a voz não cessa não penso noutra coisa. queria dizer te uma quantidade de coisas no entretanto, mas não há hora de entretanto, nem estamos aqui.

ficar sem tempo foi uma ideia tranquila que me chegou, possibilitou-nos ser sem temor nenhum.

mesmo assim não me confesso.

nem a mim mesma.

A Vitória chegou!

Sexta-feira, Outubro 26, 2007

retiro de silêncio (im)permanente

Quarta-feira, Outubro 24, 2007


Segunda-feira, Outubro 22, 2007

o mau é a lição do bom.

Domingo, Outubro 21, 2007

NAMASTÊ PER TOI

Sábado, Outubro 13, 2007

Just in Time
Artist: Nina Simone
Album: Ne Me Quitte Pas
Just in time you found me just in timeB
efore you came my time was running low
I was lost them losing dice were tossed
My bridges all were crossed nowhere to go
Now you're here now
I know just where I'm going
No more doubt or fear
I've found my way
Your love came just in time you found me just in time
And changed my lonely nights that lucky day
Just in time

ponho NinaSimone a tocar just in time e não consigo evitar pensar numa série de coisas boas sobre ti. acho que todas as pessoas que gostam de mim iam ficar felizes de saber dos sorrisos todos que tu consegues arrancar de mim. felizes como tu ficas até com as minhas birras todas.

ponho NinaSimone a tocar e dou com os olhos presos á janela, como o Noi quando o gelo começa a ser demais. um dia destes vamos voar por cima das árvores de gelo, como se fossemos libelinhas cheias de cores. um dia destes vamos poder chegar a casa juntos e limpar os sapatos no tapete como se nos perparassemos para entrar num templo a estrear. um dia destes a casa vai estar cheia da música toda que temos por ouvir e construir.

ponho NinaSimone a tocar e já não gosto tanto deste sitio. parece me pequeno, superficial. deixei de gostar dele faz coisa de um ano, talvez mais. naquela altura em que comecei a compreender em que é que servia os outros. é engraçado ver-nos crescer.
as minhas duzentas e 30 e sete crianças levam cabelos meus para casa e inventam canções para mim, como se eu fosse muito muito importante para elas, pintam folhas de papel com cores bonitas e desenham os meus olhos grandes no meio da folha. tem dentro o amor todo do mundo. é engraçado vê-los crescer. são muito maiores que os adultos.
os nossos sonhos em construção do lado de lá do gelo...

Domingo, Outubro 07, 2007

fartei-me!

Domingo, Setembro 23, 2007

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela, a menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
Caminho do mar
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado
É mais que um poema
É a coisa mais linda
Que eu já vi passar
Ah, porque estou tão sozinho
Ah, porque tudo é tão triste
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha
Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo sorrindo
Se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor
Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela, a menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
Caminho do mar
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado
É mais que um poema
É a coisa mais linda
Que eu já vi passar
Ah, porque estou tão sozinho
Ah, porque tudo é tão triste
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha
Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo sorrindo
Se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor
Por causa do amor
Por causa do amor
Por causa do amor
com a rouquidão, a dor de cabeça e uma tristeza solarenga de domingo. não, tristeza que trago não é a de domingo. há dias que nos apanham de surpresa. dor de cabeça, rouquidão e um vazio á mistura que se preenche com trabalho. resolvo me a preparar mais aulas que as necessárias. trabalho feito é trabalho feito. Jobim toca melancólico no rádio e resolvo me a aceitar o convite da S. para o lanche. chá de perpétuas, de casca de cebola com mel, água quente com sal, falar o menos possível. exercitar o pescoço e sorrir. a música faz me falta. a música e tu.

faltas me tu.